O tempo é impiedoso com a memória, e há pessoas um pouco confusas por aí. Lembremos alguns fatos.
O que aconteceu no Brasil em 8 de Janeiro de 2023 não foi uma simples escaramuça ou, como dizia o meu avô, uma “revolução de parte-candelabros”. Foi, sim, uma tentativa séria de golpe de estado, que começara ainda em 2022, com Bolsonaro atacando o voto eletrônico e usando a PRF para perturbar a votação em regiões favoráveis a Lula.
Após perderem a votação, bolsonaristas bloquearam estradas. Montaram acampamentos à frente de quartéis para pedir uma intervenção militar. Plantaram bombas (que felizmente não explodiram) em camiões e no aeroporto de Brasília.
No 8 de Janeiro, dezenas de ônibus levaram milhares de pessoas até Brasília. Elas juntaram-se aos seus correligionários dos acampamentos e dirigiram-se à Praça dos Três Poderes para invadir o Congresso, a Presidência e o STF.
A intenção era provocar uma reação do exército que destituísse o governo eleito e reinstituísse o derrotado Bolsonaro. As ações eram comandadas através de grupos de Whatsapp e implicaram uma coordenação de esforços entre políticos, empresários e militares ligados ao ex-presidente condenado.
Isto não é opinião. Isto foi o que aconteceu. O 8 de Janeiro não foi um ataque de loucura ou insanidade temporária. Foi um ataque deliberado contra a democracia, planejado e executado pelo núcleo duro do bolsonarismo.
É ingênuo, estúpido ou delirante afirmar que Bolsonaro não teve qualquer participação no golpe que o beneficiaria. Defender a anistia ou uma redução substancial de pena para quem assim agrediu a democracia é como dizer que novas agressões valem a pena.
O 8 de Janeiro foi um golpe de estado que falhou. E, estejam eles no Brasil, nos EUA ou em Portugal, os defensores de clemência para um golpe de estado antidemocrático têm nome: golpistas, antidemocratas, hipócritas.
ilógico é um lugar inventado por Jorge Vaz Nande.
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